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21
Nov17

[LIVROS] | Dias Úteis

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Dias Úteis, de Patrícia Portela, foi a minha primeira escolha para o Projecto Ler os Nossos, da Cláudia, que decorre durante o mês de Novembro. 

 

Este pequeno livro tem um conteúdo precioso e uma escrita inovadora, capaz de fazer brilhar os olhos de todos os leitores. Já estava à espera de encontrar um livro diferente do habitual, mas esta leitura ultrapassou largamente todas as minhas expectativas, deixando-me com o desejo de ler tudo de Patrícia Portela.

 

Dias Úteis é constituído por um prefácio sobre o Jogo, uma metáfora muito bem conseguida, que se pode aplicar a tantas situações do nosso dia-a-dia, mas, sobretudo, à vida. Está repleto de ironia e sentido de humor, fazendo-nos sorrir à medida que identificamos cada uma das situações descritas, extrapolando-as para a nossa realidade. Antes de chegarmos aos dias da semana, somos presenteados com uma genial didascália. Foi neste momento que percebi que iria, definitivamente, adorar este livro.

 

Nos dias da semana, um conto para cada dia e um epitáfio para domingo, temos a oportunidade de reflectir sobre variados aspectos das nossas vidas sempre com um denomidador comum: a forma como os dias nos escapam por entre os dedos de forma fugaz e definitiva, dias que deixamos passar juntamente com os nossos desejos e sonhos, num trabalho que não nos satisfaz ou que nos consome toda a energia. Na maioria das vezes, assistimos ao passar destes dias de forma conformada e passiva, apercebendo-nos demasiado tarde de que todos os momentos são essenciais para fazermos cumprir aquilo que queremos e desejamos.

Regresso a casa, ao fim do dia, à mesma hora de sempre, depois de atar os joelhos ao corpo com os sapos todos que engoli durante o horário de expediente.

Volto a soldar o coração ao peito sorvendo uma canja de galinha acompanhada com o pão recesso como se fosse sopa de cavalo cansado.

Às 10 da noite vou ter com o Inconformismo com quem vou ao café todos os dias. Fazemos um novo plano para nos tornarmos invencíveis.

Bebemos sem brindar.

Falhamos sempre.

Este é um livro que se lê muito rapidamente (li-o num dia), mas que nem por isso deixa de ser marcante, pelo contrário, é uma experiência literária bastante intensa e transformadora. O facto de um livro ser diferente dos padrões a que estamos habituados nem sempre é sinónimo de qualidade, mas, no caso de Dias Úteis, é claramente este factor que o lança para um espaço repleto de originalidade e genialidade, reservado apenas aos grandes escritores. São definitivamente as marcas diferenciadoras que causam impacto nos leitores, que nos deixam memórias que jamais irão desaparecer, é isto que Dias Úteis reserva a quem o lê.

(...) mas sabes como é, é sempre complicado, tirar só três dias de folga para depois estar mau tempo, e depois não se consegue adiantar nada no jardim, depois uma pessoa acorda tarde e quando dá por si, perdeu o dia, depois a frustação que acumula domingo à noite por não ter aproveitado o fim de semana como deveria e ainda por cima reparar, tarde demais, que não se tem comida em casa e que já está tudo fechado e que agora só telefonando para pedir uma pizza, mas eu também não posso passar os dias a comer pizza, prometi fazer dieta, (...)