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Mais Mulheres Por Favor

08
Mar18

[TAG] | Março Feminino

No âmbito do seu projecto #marçofeminino, a Sandra criou uma TAG homónima muito original. Aqui ficam as minhas respostas, apenas com livros escritos por mulheres.

 

1. Aqueles dias do mês - Um livro que os homens nunca vão perceber.
Vou arriscar e escolher um livro que ainda não li, mas que quero começar a ler este mês, Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. Acho que vai ser uma experiência de leitura magnífica.

 

2. Filha da mãe da depilação - Um livro que te arrepia só de pensar.
A Guerra Não Tem Rosto de Mulher, de Svetlana Alexievich. Um livro que dificilmente esquecemos tal o impacto dos relatos que contém. São centenas de entrevistas realizadas a mulheres russas que fizeram parte da Segunda Guerra Mundial como atiradoras, cirurgiãs, enfermeiras, condutoras de tanques, pilotos, entre muitas outras funções bélicas. Tremendamente perturbador e emocionante.

 

3. Aquele batom vermelho que dá um up a qualquer look - Um livro que te pôs bem-disposta/o num dia cinzento.
Depois a Louca Sou Eu, de Tati Bernardi. Não o li em dias cinzentos, era verão e estava de férias, mas a forma despudorada com que Tati Bernardi se entrega neste livro, fazendo uso da própria desgraça com um fantástico sentido de humor, alegra qualquer pessoa num dia cinzento.

 

4. Cérebro Feminino - Um livro que parecia confuso, mas acabou por fazer muito sentido.
A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector. Foi preciso lê-lo uma segunda vez para compreender verdadeiramente a sua grandiosidade. Dêem a mão a G. H. e deixem-se levar pela sua epifania, é a minha recomendação para ler este livro.

 

5. "Mulheres não percebem de futebol, nem gostam de cerveja" - Um livro que vomita clichés.
Já não leio um livro assim há tanto tempo que não me consigo lembrar de nenhum que se encaixe nesta categoria.

 

6. Mini-saia - Um livro curto, mas bom.
O Nervo Ótico, de María Gainza. Li-o numa ida ao Porto num sábado, nas viagens de comboio. Em pouco mais de 160 páginas somos presenteados com memórias, ficção e arte. Uma combinação soberba com uma execução muito próxima da perfeição.

 

7. Bolsa de Mulher - Um livro com muita coisa dentro, que te provocou várias emoções.
As Coisas que Os Homens Me Explicam, de Rebecca Solnit. Nove textos sobre desigualdade de género, maravilhosamente bem escritos, carregados de ironia, humor e tremendamente pertinentes. Deixa-nos com vontade de revolucionar o mundo.

 

8. Mrs. Always Right - Como as mulheres têm sempre razão, escolhe um livro que aconselhas a toda a gente.
Novas Cartas Portuguesas, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa. Escrito por três mulheres e absolutamente maravilhoso quer pelo conteúdo, quer por todo o contexto social, político e histórico que o envolve. O meu preferido de 2017. Leiam-no, sem medos!

 

9. Mas porque é que tenho que gostar de cor-de-rosa? - Um livro que toda a gente gosta, menos tu!
Leite e Mel, de Rupi Kaur. Comecei por gostar dele na primeira parte, mas depois entrei numa espiral negativa e acabei a revirar os olhos a cada página que passava. Na época, tudo me pareceu artificial, forçado e repetitivo. Recordo-me de ter ficado extremamente revoltada por classificarem este livro como sendo poesia. Mas calma, admito que podia não estar num dos meus dias, por isso pretendo dar-lhe uma segunda oportunidade em breve, não comecem já a apedrejar-me. Ainda há esperança.

 

10. Sutiã nosso de cada dia - Um livro que te incomodou ou um livro que foi um alívio chegar ao fim.
Atos Humanos, de Han Kang. Incomodou-me devido à violência que envolveu o massacre de Gwangju, na Coreia do Sul (1980), e que é relatada ao longo deste livro através de várias vozes. O segundo capítulo deste livro é deveras perturbador.

 

11. Ir à manicure - Toda uma curiosidade sobre um livro que anda na boca do povo, mas ainda não leste.
Little Fires Everywhere, de Celeste Ng. Em 2017, houve um enorme buzz em torno deste livro, em particular no Goodreads e no Instagram. A Relógio D'Água já confirmou a sua edição e haverá também uma adaptação para série televisiva, onde Reese Witherspoon e Kerry Washignton serão produtoras executivas e atrizes. Aguardemos.

 

12. Fitas e lacinhos - O livro mais girly que já leste.
Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. Não sei se girly será o termo mais apropriado para este livro, mas foi o primeiro que me veio à cabeça. Que saudades das irmãs March!

 

13. Girl Power - Uma autora que é uma mulher do caraças. Explica porquê.
Vou escolher três: as Três Marias, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, que escreveram, a seis mãos, as Novas Cartas Portuguesas, publicado em 1972 em plena ditadura.

 

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Novas Cartas Portuguesas é um verdadeiro grito de revolta que coloca o dedo na ferida, sem medo e com uma enorme coragem, ferida essa que é constituída pelos mais variados preconceitos e injustiças intrínsecos à sociedade da época e que se vinham arrastando ao longo de séculos.

A decisão de o publicar integralmente resultou na recolha e destruição da primeira edição por parte da censura e valeu-lhes um processo judicional. Este processo teve destaque internacional, e as Três Marias tiveram várias figuras de destaque a defender a sua causa, entre elas, Simone de Beauvoir. Tudo isto me está a recordar que, sim, estou a dever-vos um texto com mais curiosidades sobre este livro magnífico e que não pode cair no esquecimento.

 

14. Mulheres nos livros - Indica três livros com personagens femininas fortes.

A Amiga Genial, de Elena Ferrante (tetralogia). Elena Ferrante deu vida a duas mulheres incríveis que acompanhamos desde a infância até à velhice. Lila e Lenú ficaram para sempre no meu coração e preciso de as reencontrar com urgência.

 

O Livro de Emma Reyes, de Emma Reyes. Ao longo de vinte e três cartas, Emma Reyes revela como viveu a sua infância e juventude. Um relato repleto de pormenores que mostram a miséria e falta de recursos (materiais, mas sobretuto emocionais) que caracterizaram o seu crescimento, mas que conta também com episódios divertidos.

 

Jane Eyre, de Charlotte Brontë. Este livro teve a capacidade de me transportar para a vida de Jane e fez-me seguir os seus passos. Jane Eyre é uma mulher íntegra e fiel aos seus princípios, mas que também tem defeitos, e vê-la crescer, formar a sua personalidade e apaixonar-se arrebatou-me verdadeiramente.

 

15. Mulheres nos filmes - Indica três filmes com personagens femininas fortes.
Wonder Woman, Patty Jenkins. Um filme incontornável e inspirador que veio deixar ainda mais evidente a importância da presença das mulheres em filmes de super-heróis. Diana Prince/Wonder Woman desarma-nos com a sua ingenuidade e valentia, e prova-nos que o amor, a honestidade e a honra são imprescindíveis, sobretudo nos tempos mais difícieis, onde a violência pode parecer a saída mais fácil.

 

Mustang, Deniz Gamze Ergüven (última foto do header deste blog). Cinco irmãs orfãs vivem numa pequena vila da Turquia com o tio e a avó. À medida que vão crescendo e se tornam mulheres, vêem-se confrontadas com a falta de liberdade e são constantemente punidas pelos seus actos imorais. Cada uma, à sua maneira, luta pela liberdade, apoiando-se mutuamente e recusando-se a serem vergadas pelos costumes retrógrados que lhes são impostos.

 

Mad Max: Fury Road, George Miller. A Imperatriz Furiosa é uma das minhas personagens preferidas de sempre. Um filme repleto de acção, com Charlize Theron a interpretar uma mulher forte e complexa, peça central deste filme.

 

16. Ir em bando ao WC - Indica quem quiseres para responder.
Sintam-se livres para levar a TAG e responder.

 

Obrigada à Sandra por esta iniciativa e pelo convite!

 

24
Out17

[EVENTOS] | Género na Arte de Países Lusófonos: Corpo, Sexualidade, Identidade, Resistência

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Infelizmente, o período de inscrições para este evento terminou no final de Setembro, mas achei relevante fazer referência ao evento aqui no blog.

 

A conferência internacional Género na Arte de Países Lusófonos: Corpo, Sexualidade, Identidade, Resistência tem lugar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa nos dias 27 e 28 de Outubro.

Esta conferência pretende reunir pessoas de diferentes países das lusofonias,  vindas da academia, do activismo e de outras áreas, para reflectirem e dialogarem, de um modo crítico, transdisciplinar e sistémico, sobre a questão do género no foro da arte e da cultura contemporâneas. 

 

O programa desta conferência é muito completo e conta com a contribuição de académicos, artistas, curadores, activistas, entre outras pessoas com interesse nesta temática. Deixo alguns dos temas das sessões e dos painéis temáticos que mais me cativaram: Género na arte: dos museus à academia (Aida Rechena e Teresa Furtado), Lute como uma mulher! Arte e Feminismo na América Latina (Cristiana Tejo), A margem rosada: temáticas do RAP feminino brasileiro e português (Amanda Padilha Pieta) e História das mulheres e de género em Portugal: horizontes temáticos e desafios atuais (Irene Vaquinhas).

 

23
Out17

[EVENTOS] | As Happy As Sad Can Be

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Assim que dei de caras com o trabalho da Wasted Rita (Rita Gomes) nas redes sociais comecei a segui-la de imediato. Adoro tudo o que caracteriza a sua arte: a simplicidade, as temáticas que explora, a criatividade desarmante à qual é impossível ficar indiferente; e foi com grande entusiasmo que soube que haveria uma exposição individual sua na Underdogs Gallery, em Lisboa.

 

As Happy As Sad Can Be é uma exposição sobre encarar e abraçar a tristeza de uma forma divertida; sobre brincar com a falsa felicidade enquanto se é fundamentalmente triste que todos deveriam ir conhecer. É grátis, por isso não há desculpas para não passarem por lá até 18 de Novembro.

 

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A exposição compreende um conjunto de instalações diversas, cada qual materializando um espaço pessoal que explora um tema relevante para a artista - seja ele o sabor energizante do Verão ou a sofisticação misantrópica da internet, os apetrechos materiais de uma languidez onírica e prazeres que suscitam culpa, ou as forças e fraquezas da condição feminina num mundo que, com demasiada frequência, e indevidamente, é representado como sendo o domínio do homem.

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13
Out17

[EVENTOS] | Mulheres nas Artes: Percursos de Desobediência

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Nos dias 16 e 17 de Outubro decorre o Mulheres nas Artes: Percursos de Desobediência, um encontro internacional na Fundação Calouste Gulbenkian para debater a afirmação das mulheres na literatura, na música, no cinema, nas artes visuais e nas artes de palco. Cereja no topo do bolo? É grátis!

“Qualquer forma de criação nasce da desobediência, isto é, da capacidade de questionar o que existe”, dizem Inês Pedrosa e Patrícia Reis, comissárias de Mulheres nas Artes: Percursos de Desobediência. Na apresentação deste encontro, relembram também que “a metade feminina da humanidade esteve aparentemente confinada ao silêncio e à obediência até há pouco mais de cem anos”, evocando Clarice Lispector e Virginia Woolf como símbolos de uma contracultura de resistência.

 

Ao longo destes dois dias há palestras, debates, conversas de vida e o lançamento do livro Eu Matei Xerazade - Confissões de Uma Mulher Árabe em Fúria, de Joumana Haddad, escritora e jornalista libanesa, que lançou no Líbano, em 2009, a revista Jasad (corpo em árabe), que conta com artigos, fotos, arte e ilustrações que falam sobre o culto ao corpo, erotismo e sexo. Irá também haver a antestreia do filme A Festa, de Sally Potter, entre outros eventos. A perfeição na Terra, portanto. Podem consultar o programa aqui.

 

Infelizmente, não terei disponibilidade para estar neste evento, mas tenho esperança que haja alguém desse lado que o possa fazer por mim. Vão e contem-me tudo.

 

12
Out17

[EVENTOS] | DOCLISBOA'17

O Festival Internacional de Cinema Doclisboa deste ano decorre entre os dias 19 e 29 de Outubro em diversos espaços como a Culturgest, o Cinema São Jorge, o Cinema Ideal, e conta com 231 filmes, de 44 países. Esta é a 15ª edição do festival dedicado ao documentário com uma missão fantástica que podemos encontrar no site.

O Doclisboa pretende questionar o presente do cinema, em diálogo com o seu passado e assumindo o cinema como um modo de liberdade. Recusando a categorização da prática fílmica, procuram-se as novas problemáticas presentes na imagem cinematográfica, nas suas múltiplas formas de implicação no contemporâneo. O Doclisboa tenta ser um lugar de imaginação da realidade através de novos modos de percepção, reflexão, novas formas possíveis de acção.

 

Um dos documentários que me chamou a atenção, e que conto assistir, foi Quem é Bárbara Virgínia? da realizadora Luísa Sequeira. Bárbara Virgínia é o nome artístico de Maria de Lourdes Dias Costa, cineasta, actriz e locutora de rádio, nascida em Lisboa, a 15 de Novembro de 1923, e que foi a primeira mulher em Portugal a realizar um filme, na década de 40.

 

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Bárbara Virgínia tinha apenas 22 anos quando, em Agosto de 1946, o seu filme Três dias sem Deus se estreou nas salas de cinema portuguesas. Como se isto não fosse suficientemente espectacular, Três dias sem Deus foi o primeiro filme português a ser nomeado para o Festival Internacional de Cinema de Cannes (a par de Camões, de Leitão de Barros), precisamente na primeira edição deste festival, que ocorreu entre Setembro e Outubro de 1946.

 

Quem é Bárbara Virgínia? passa nos dias 25 de Outubro (18.45) no Cinema São Jorge e 29 de Outubro (14.00) na Culturgest, em conjunto com Três Dias sem DeusAldeia dos Rapazes, sobre uma instituição de acolhimento infantil. Bilhetes aqui (4€).