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05
Jan19

[LIVROS] | Regras para Descolagem

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A Carolina, companheira de clubes e eventos literários, almoços e lanches para falar sobre livros e não só, lançou no final de 2018 o seu primeiro livro, Regras para Descolagem. Não apenas por conhecê-la pessoalmente, mas também por saber que é apaixonada pela literatura e pela escrita, tinha muita curiosidade em ler a sua obra de estreia e, naturalmente, partilhar a minha opinião aqui no blog. Durante a leitura tentei abstrair-me ao máximo do facto de conhecer a Carolina para que depois pudesse escrever de forma imparcial. 
 
Nas primeiras páginas, fiquei imediatamente encantada com o ponto de partida deste livro, um aeroporto, já que tenho um fascínio especial por tudo o que lhe está associado. Regras para Descolagem lê-se muito rapidamente tal é a vontade de saber mais, mas sobretudo pela escrita da Carolina: cativante, cuidada e fluida
Os aeroportos fazem-me sentir nervoso. Não que tenha medo de voar. Na verdade, acalmo-me quando o avião levanta voo. Antes disso sinto-me irrequieto. Vejo as pessoas a partir e a chegar e tenho a sensação de que se alguma delas se perdesse aqui, nunca conseguiríamos encontrá-la. Como se os aeroportos fossem buracos negros por onde as pessoas se evaporam. Se num minuto estão sentadas junto à porta da porta de embarque, no seguinte podem estar presas num submundo do aeroporto que não vemos. Qualquer um pode ser sugado para o buraco. E quem daria pela falta dessa pessoa? Tanto pode ter saído para visitar a cidade como pode estar num avião a caminho do México. E se alguém reclamar que não era esse o destino que a pessoa tinha definido no cartão de embarque, eu pergunto: não estamos nós no sítio onde tudo pode ser alterado, adiado e cancelado? No fundo, o aeroporto é uma porta giratória de oportunidades. Se perdemos um voo, haverá sempre outro à nossa espera.
 
Lourenço é um detective privado que apanha um voo até Colombo para aquele que será o seu último caso. Ao longo das diversas horas de viagem, em consequência de uma conversa com outro passageiro, conhecemos diversos momentos da sua vida, todos marcados por mulheres. A voz masculina, o enredo e o rumo que a Carolina deu a esta história estão bem conseguidos, é notório o seu talento. Fiquei com pena que o final não tenha sido mais desenvolvido (gostava de ter sabido mais), em compensação, tornava um pouco mais breve a parte da adolescência de Lourenço. 
 
Regras para Descolagem é um excelente prenúncio para o futuro da Carolina enquanto escritora e espero realmente que não falte muito tempo para que possamos ter a oportunidade de ler outro livro seu.
 
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