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13
Abr18

[LIVROS] | O Castelo de Vidro

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Em O Castelo de Vidro, Jeannette Walls, jornalista norte-americana, coloca por escrito a história (até então desconhecida) da sua vida, desde a sua infância, quando, com três anos, enquanto cozinhava salsichas em cima de um banco, a sua saia pega fogo e Jeannette fica com severas queimaduras, até à idade adulta, quando, de táxi, observa os pais a viver nas ruas de Nova Iorque.
 
A coragem de Jeannette Walls é de louvar, já que relata a quem a lê as dificuldades que ela e os seus três irmãos, Lori, Brian e Maureen passaram enquanto cresciam, revelando ao mundo o retrato de uma família caracterizada pelo nomadismo, por um pai alcoólico e uma mãe despreocupada, pais esses que, uns dias iam trabalhar e lhes davam prendas e comida, enquanto noutros eram despedidos, roubavam e deixavam tudo para trás, fazendo, tantas vezes, os filhos passarem fome. Apesar de Rex Walls, o pai de Jeannette, ser a figura pela qual sentiríamos, à partida, menos empatia, este é, no meu entender, a personagem mais carismática do livro, é em torno dos seus devaneios, sonhos, desilusões, frustrações e entusiasmos que O Castelo de Vidro gira, para o bem e para o mal, e vemo-nos envoltos na mesma admiração que Jeannette sentia por ele, doseada com picos de ódio e desilusão. O momento em que Rex oferece estrelas aos filhos e Jeannette escolhe um planeta, Vénus, foi um dos meus preferidos.
Vénus não tinha luas nenhumas, nem satélites, nem sequer um campo magnético, mas tinha uma atmosfera algo parecida com a da Terra, exceptuando o facto de ser superquente - uns quinhentos graus, ou mais.
- Assim - disse o pai - quando o Sol começar a apagar-se e a Terra ficar fria, toda a gente quererá mudar-se para Vénus para se aquecer. E vão ter de pedir autorização aos teus descendentes.
Rimo-nos de todas as crianças que acreditavam no mito do Pai Natal e que, no Natal, não recebiam mais que um monte de reles brinquedos de plástico.
- Daqui a muitos anos, quando toda a porcaria que eles receberam estiver partida e esquecida - disse o meu pai -, vocês ainda vão ter as vossas estrelas.
 
Apesar do retrato de irresponsabilidade, violência, despreocupação e pobreza extrema, há também amor e momentos felizes e divertidos, uma verdadeira montanha russa na qual cresceram Jeannette e os três irmãos. Não fiquei particularmente fascinada com a escrita, mas a história tocou-me bastante, segui-a atentamente, como se fosse um daqueles irmãos, sentindo cada momento de felicidade, esperança, desilusão, união.
 

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