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Mais Mulheres Por Favor

30
Jun18

[TAG] | 50% - Balanço do primeiro semestre de leituras

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A Cláudia marcou-me para responder à TAG 50%, que é uma óptima forma de fazer uma retrospectiva do primeiro semestre literário, agora que estamos quase, quase a meio do ano. Sintam-se livres para responder também.

 

1. O melhor livro que você leu até agora.

Meio Sol Amarelo (Chimamanda Ngozi Adichie) e Ulisses (James Joyce). Ainda não consegui arranjar tempo para escrever sobre o primeiro aqui, mas de Julho não passa, e sobre o segundo acho que dificilmente conseguirei escrever um texto decente porque, sejamos honestos, metade do livro não se percebe e a outra metade também não (trata-se obviamente de um exagero, mas não é exagero dizer que andamos aos papéis do início ao fim, tendo pequenos vislumbres de uma obra colossalmente complexa), não vale a pena fazer resumos nem dizer-vos que o devem ler, porque já estão fartinhos de o saber. Foi uma experiência maravilhosa enquanto leitora e basta que saibam isso, ah, e para os chatinhos que acham que arrumei com os livros de autores de vez: upssss.

 

2. A melhor continuação que você leu até agora, em 2018.

Não li nenhuma continuação este ano e não estou a prever que vá ler alguma, mas adorava reler a tetralogia da Ferrante.

 

3. Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito.

Vários. Pequenos Fogos em Todo o Lado (Celeste Ng), O Quarto de Marte (Rachel Kushner), mulheres & poder: um manifesto (Mary Beard) e o primeiro volume da reedição das Obras Completas de Maria Judite de Carvalho.

 

4. O livro mais aguardado do segundo semestre.

Não faço ideia do que vai ser publicado até ao final do ano e, sinceramente, para bem da minha carteira, prefiro não ver (para já).

 

5. O livro que mais te decepcionou esse ano.

O Ministério da Felicidade Absoluta, estava à espera de adorar este livro, o que não aconteceu, apesar de lhe reconhecer a qualidade.

 

6. O livro que mais te surpreendeu esse ano.

Para além dos favoritos, rendi-me a O Livro de Emma Reyes, uma história marcante que nunca mais irei esquecer.

 

7. Novo autor favorito (que lançou seu primeiro livro nesse semestre, ou que você conheceu recentemente).

María Gainza, devido ao seu O Nervo Ótico, tão bom.

 

8. A sua quedinha por personagem fictício mais recente.

Tenho uma quedinha pela Adília Lopes, conta?

 

9. Seu personagem favorito mais recente.

Emerence, de A Porta, uma das personagens mais caricatas, complexas e bem construídas que já tive o prazer de encontrar.

 

10. Um livro que te fez chorar nesse primeiro semestre.

É muito raro isso acontecer, mas O Castelo de Vidro deixou-me emocionada em certas partes.

 

11. Um livro que te deixou feliz nesse primeiro semestre.

Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes, de Elena Favilli e Francesca Cavallo. Impossível não sentir um misto de orgulho e felicidade ao descobrir cada uma destas histórias.

 

12. Melhor adaptação cinematográfica de um livro que você assistiu até agora, em 2018.

Gostei muito da adaptação d'O Castelo de Vidro que vi apenas este ano, depois de ter lido o livro.

 

13. Sua resenha favorita desse primeiro semestre (escrita ou em vídeo).

Adorei a opinião da Bárbara sobre Cartas Amorosas de uma Religiosa Portuguesa (ou Cartas Portuguesas) de Mariana Alcoforado e que preciso de ler urgentemente.

 

14. O livro mais bonito que você comprou ou ganhou esse ano.

Adoro o Todos os Contos da Clarice Lispector e a Obra Poética da Sophia de Mello Breyner Andresen, comprados na Feira.

 

15. Quais livros você precisa ou quer muito ler até o final do ano?

É díficil escolher porque comprei muita coisa que sinto que vou adorar, ainda tenho vários na estante que me fazem bater o coração mais depressa e tenho três novidades a caminho da estante. Mas vou adiantar alguns, Pequenos Fogos em Todo o Lado (Celeste Ng), mulheres & poder: um manifesto (Mary Beard), Rumo ao Farol (Virginia Woolf) e, uma releitura, A Campânula de Vidro (Sylvia Plath).

 

26
Jun18

[COMPRAS] | Feira do Livro de Lisboa

Todos os anos é a mesma coisa. Este ano vou comprar poucos livros, tenho imensos por ler na estante, nomeadamente, muitos dos que comprei na feira do ano anterior. A ideia é boa mas não tenho a solidez mental necessária para escolher 5 em 30 (sim, a lista já ia nestes números). O meu pior pesadelo? Que os livros esgotem e nunca mais volte a pôr os olhos ou as mãos numa determinada edição. Pode parecer improvável, mas as edições em Portugal, muitas vezes, não têm grandes tiragens e pode ser preciso esperar anos por uma reedição.

 

Medo ou uma bela de uma desculpa, o que eu sei é que trouxe muitos livros para casa mas ainda não me arrependi de nenhum. Arrependimento só mesmo de não ter trazido mais, mas, parecendo que não, uma pessoa tem contas para pagar e um estômago para alimentar. Tenho aprendido com os erros das compras dos últimos anos e tenho investido em muitas autoras que já conheço e quero continuar a ler e noutras que considero que é uma grande falha ainda não ter lido um único livro seu. Posto isto, está na hora de se chocarem ou maravilharem com as minhas escolhas.

 

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Pensaram que já tinha acabado? Não, ainda há mais e é com uma certa vergonha que admito que deixei escapar dois livros destas fotos. Memento Mori, de Muriel Spark, e Paris França, de Gertrude Stein. Não tive de vender um rim para comprar estes livros porque foi quase tudo comprado a metade do preço e cerca de metade consiste em prenda de aniversário antecipada por parte do meu namorado. Sou uma sortuda, eu sei, mas confesso que já estou a pensar na próxima feira, que ainda ficou muita coisa por comprar.

 

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25
Jun18

[PROJECTOS] | Ler os Nossos

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Este ano o projecto "Ler os Nossos" da Cláudia chega mais cedo e vai decorrer durante o mês de Julho. Como tem sido hábito, vou participar e já escolhi as minhas leituras, de modo a encaixar nos desafios criados para esta edição:

 

Um livro comprado recentemente

Vem à Quinta-Feira, de Filipa Leal - livro de poesia que comprei na Feira do Livro, que irá servir também para o projecto #lerpoesia de Julho.

 

Um autor português recomendado por alguém

Mulheres Viajantes, de Sónia Serrano - não foi uma autora recomendada, mas sim o livro em si, muito curiosa para saber mais sobre estas mulheres viajantes.

 

Um título que não te parece minimamente interessante, mas vais arriscar

Meninas, de Maria Teresa Horta - custou-me horrores incluir Maria Teresa Horta neste desafio, mas dei voltas e voltas à estante em busca de um livro que encaixasse minimamente e não encontrei nada - os títulos pesam muito no momento da escolha dos meus livros e é raro arriscar na compra de um livro com um título duvidoso. Este pareceu-me o livro com o título mais vago e simples que tinha na estante, mas sei que, definitivamente, não será um risco. Estou perdoada, pela batota e heresia?

 

Um livro que te custou uma pechincha

Uma Volta ao Mundo com Leitores, de Sandra Barão Nobre - comprado há cerca de um ano na Livraria Déjà Lu e que tenho estado a deixar de parte, a aguardar por este projecto.

 

21
Jun18

[LIVROS] | Varanda de Inverno

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Sou frequentemente tentada com novas publicações de livros poesia, especialmente pelos da Assírio & Alvim. Os títulos e as capas prendem-se à minha mente e todo o santo dia penso neles, namoro-os nas livrarias ou nos sites onde os posso comprar, cada foto ou artigo a publicitá-lo faz-me suspirar por ainda não estarem na minha posse. Ando nisto, dias, semanas, às vezes (muito poucas), meses, mas lá acabo por comprá-los e, inevitavelmente, lê-los em menos de um dia. Bem tento poupá-los, mas não consigo. É como se só pudesse comer um quadrado de chocolate ou uma pipoca. Não dá. O livro que escolhi para o projecto #lerpoesia de Maio foi um desses casos, amor à primeira vista e para lá do último poema.

 

Marta Chaves é psicóloga clínica e psicoterapeuta e já publicou diversos poemas e livros de poesia desde 2008, sendo Varanda de Inverno o primeiro publicado na Assírio & Alvim. Desconhecia por completo a sua poesia, mas identifiquei-me de tal forma com este título e com alguns poemas que vi publicados que não lhe consegui resistir por muito tempo. O meu sexto sentido poético não me falhou, devorei-o em poucas horas. Tenho um amor especial pelos poemas que gostaria de ter escrito, com que me identifico, que me fazem sorrir ou que me marejam os olhos, Varanda de Inverno tem isso tudo, pelo que será um livro para ir lendo ao longo da vida.

 

Muitos poemas marcados, livro com lugar especial no coração, espera paciente pela aquisição das obras antigas e pelas que hão-de vir: é disto que é feita a poesia.

 

Proporção Áurea

 

Chego ao campo e encontro

a transparência que me arrebata.

A paisagem sonora nada interrompe,

propaga-se pelo ar e regressa em eco.

 

O dia finda na debandada dos pássaros.

Durante a noite o fogo alimenta-me.

O vinho e a madeira dilatam,

indiferentes à estação.

 

Deitada na cama não me falta o ar.

Do céu vê-se a casa,

na casa o quarto,

dentro dele, eu.

 

14
Jun18

[LIVROS] | Frankenstein

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Frankenstein, de Mary Shelley, era um dos clássicos escritos por mulheres que, vergonhosamente, ainda não tinha lido. Felizmente, foi o livro escolhido para a leitura de Março/Abril do Clube dos Clássicos Vivos, cujo encontro para a respectiva discussão aconteceu no primeiro fim-de-semana da Feira do Livro e que resultou, como sempre, numa troca de opiniões maravilhosa. Como se já não houvesse motivos suficientemente bons, este ano, celebram-se os duzentos anos da publicação da primeira edição desta obra, pelo que a sua leitura não poderia ter acontecido em melhor momento.

 

Não sendo um livro favorito da vida, gostei mais do que estava à espera (confesso que tinha o pressentimento de que o acharia enfadonho). Como a maioria das pessoas, apesar de já ter ouvido falar dezenas ou centenas de vezes em Frankenstein, estava bastante longe de conhecer a história original, pelo que foi uma excelente surpresa conhecê-la, assim como poder constatar que a escrita e a história de Mary Shelley não são, de todo, enfadonhas, muito pelo contrário, gostei particularmente da forma como Shelley nos conduz pelo romance.

O dia, um dos primeiros da primavera, até a mim conseguiu animar mercê da maravilha da sua luz e do suave perfume do seu ar. Senti renascer em mim sensações de prazer e brandura que julgava mortas havia muito. Meio surpreendido pela novidade de tais sensações, deixei-me embalar por elas e, esquecendo a minha solidão e a minha deformidade, ousei ser feliz. Lágrimas suaves banharam-me de novo as faces e até ergui os olhos húmidos para o bendito Sol, a agradecer-lhe a alegria que me dava.

Mary Shelley, escreveu um romance que abrange os géneros gótico, terror/horror e ficção científica. Se, hoje em dia, dificilmente ficaremos horrorizados com esta história, na época, ou seja, há duzentos anos, este romance foi realmente inovador, chegando mesmo a ser considerado como a primeira obra de ficção científica da história. Quando começou a escrever Frankenstein, Mary Shelley tinha apenas 19 anos.

 

Em relação à estrutura deste romance, agradaram-me mais as partes onde este é narrado através de cartas escritas por Robert Walton, capitão de uma expedição náutica no Pólo Norte, dirigidas à sua irmã Margaret, relatando o seu encontro com Victor Frankenstein (criador da criatura). Quando Victor lhe conta a sua história, terminam as cartas e Victor toma o lugar de narrador. No final, quando Victor termina a sua narração, regressamos às cartas novamente, encerrando-se a história com um final que me agradou bastante. Perto do final da narrativa de Victor há um momento em que a postura deste se torna demasiado repetitiva e com um tom de autocomiseração excessivo, algo que me fez desligar um pouco da história, mas pouco depois a narrativa volta a ganhar mais acção e o entusiasmo renasce.

 

Se ainda não leram este clássico precursor na literatura em tantos aspectos, leiam-no.

 

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