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05
Dez17

[LIVROS] | Porto, última estação

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Esta foi a minha última leitura para o Projecto Ler os Nossos, dedicado à leitura de autores portugueses durante o mês de Novembro. Foi um mês muito rico e diversificado, pelo que não podia estar mais feliz. Li pela primeira vez Patrícia Portela e Maria do Rosário Pedreira, voltei a ler Isabela Figueiredo e li as poderosas Novas Cartas Portuguesas, escritas a seis mãos, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa. Parabéns à Cláudia pela 2ª edição deste Projecto!

 

Porto, última estação faz parte da colecção Retratos da Fundação (Fundação Francisco Manuel dos Santos), que nos presenteia sempre com olhares muito próximos de certas realidades portuguesas que, muitas vezes, desconhecemos. Sempre que leio um livro desta colecção percebo que sinto falta de ler mais trabalhos assim, feitos por quem se desloca ao local e fala com as pessoas, que vive e sente de perto as características de certos locais ou instituições. Um género literário jornalístico, próximo e intimista, não deixando de ser rigoroso, ao qual é impossível ficar indiferente.

 

Este é o primeiro livro de Mariana Correia Pinto, jornalista e apaixonada pela escrita. Porto, última estação faz uma retrospectiva do que se vem passando com Campanhã, desde o século XIX até à actualidade. Desde a mobilização do investimento para o litoral e centro da cidade, até à construção de bairros sociais na parte rural, passando pelas questões sociais e económicas deste concelho, Mariana Correia Pinto, transmite um olhar muito próprio da evolução deste local, visto pelas pessoas que lá vivem, pelos que todos os dias dão o melhor de si para fazer com que Campanhã possa evoluir de forma sustentada, apoiando os seus habitantes com um empenho que já pouco se vai vendo nos nossos dias, mas que, felizmente, ainda existe. É também feita uma análise importante sobre as decisões políticas mais recentes, que fazem crer que a mudança vai chegar à Campanhã, apesar de esta ser um processo lento, aponta-se para, no mínimo, dez anos.

 

Fiquei particularmente emocionada com Chalana (José António Pinto), Bininha (Albina de Jesus Pinheiro) e Rosa Meireles, pela forma como todos os dias dedicam a sua vida a ajudar os outros, aliviando fardos pesados, tentando integrar na sociedade pessoas que seguiram por caminhos marginais, sem nunca esperar nada em troca, mas tremendamente felizes e orgulhosos sempre que o seu trabalho dá frutos, por mais pequenos que eles sejam, já é uma vitória.

Rosa encolhe os ombros. Não quer aplausos pelos seus gestos. "Sou solidária porque a vida me fez ser".

 

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