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Mais Mulheres Por Favor

29
Nov17

[LIVROS] | Caderno de Memórias Coloniais

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Esta foi mais uma das aquisições da Feira do Livro de Lisboa deste ano. Na altura em que li A Gorda, livro que pretendo reler brevemente, fiquei completamente fascinada, pelo que não perdi a oportunidade de comprar este livro a metade do preço. Já tinha ouvido falar muito bem acerca dele, mas confesso que não tinha grandes expectativas. Como é maravilhosa a sensação de esperar tão pouco de um livro e este nos surpreender tanto.

 

Depois das Palavras Prévias de Isabela Figueiredo e dos Prefácios de Paulina Chiziane e José Gil, não consegui largar este livro. Li 150 páginas quase de um trago e terminei-o no dia seguinte. Tal como o título indica, este é um livro de memórias sobre o tempo do colonialismo em África, neste caso, em Moçambique, e do que se seguiu, aquando da descolonização. Nos últimos tempos, mas sobretudo instigada pela leitura das Novas Cartas Portuguesas, desenvolvi um grande interesse em relação a este tema, provavelmente por sentir que ainda sei tão pouco. À medida que vamos lendo sobre este período conturbado da nossa história, a necessidade de saber mais cresce exponencialmente.

 

Adorei O Retorno (outro livro que pretendo reler), de Dulce Maria Cardoso, livro essencial quer pelo tema, quer pela sua qualidade literária, e este Caderno de Memórias Coloniais veio reavivar o desejo de saber como viviam, como se deu a mudança provocada pelo 25 de Abril, como lidaram com esta e o que aconteceu depois, acima de tudo, o que sentiram ao longo de todo o processo. Isabela Figueiredo, nascida em Lourenço Marques (hoje Maputo), em 1963, regressou a Portugal em 1975, fornece-nos a sua preciosa vivência daqueles tempos, enquanto menina-mulher.

 

Através das memórias colocadas neste Caderno, acompanhamos o seu crescimento e descobertas (tanto do corpo como do mundo que a envolvia), mas também a sua relação com o pai, um homem racista, como tantos naquela época, como tantos ainda hoje. Somos confrontados com uma visão incrível do amor entre pai e filha, que vive e subsiste, apesar da disparidade das crenças. Isabela Figueiredo transmite de forma bela e tremendamente simples, quase como se estivessemos ouvir a menina daqueles tempos, a incompreensão/inocência perante a forma como se vivia, como se tratava e subjugava os negros, o calor, o cheiro e a intensidade daquela terra, o medo que sentiu após o 25 de Abril, ainda em Moçambique e, mais tarde, em Portugal.

Não é ao pai a quem ela dirige a crítica, mas a todo um sistema personificado na figura de um homem. Afinal a maioria dos brancos comportava-se da mesma maneira. Não se trata da mãe, mas de uma vítima de um sistema, tal como a maioria das mulheres, brancas ou negras. Tem um sentimento de traição ou remorsos? Porquê? Quem somos nós para julgar a história, condená-la ou absolvê-la? De que traição se trata, se todos, colonizadores e colonizados, éramos apenas vítimas desse mal chamado colonialismo?

Prefácio de Paulina Chiziane

Escrito de forma irrepreensível, abordando não só as questões raciais, como as de género, mas sobretudo, o amor filial conturbado e indestrutível, os Cadernos de Memórias Coloniais são uma obra obrigatória para quem se interessa ou quer saber mais sobre este tema. Belo, essencial e poderoso, apenas consigo apontar-lhe uma falha, demasiado curto.

Havia uma raiva tão grande dentro de si, em amigável convívio com o amor que podia oferecer-me de um momento para o outro.

Mas não me arrancou um assentimento. Nunca ouviu da minha boca um tens razão, um realmente, um pois. No máximo, um percebi, como resposta a um percebeste? Ele podia obrigar-me a sentar, ouvir e calar, sujeitar-me a sessões públicas e privadas, formais ou informais, de ideologia rácica, mas não convencer-me das vantagens da raça nem do ódio.

O meu pai não me arrancou ao que eu era nem ao que pensava; o meu pai não foi capaz de formar o meu pensamento. O meu pai não me dobrou. Escapei-lhe.

28
Nov17

[LIVROS] | Novas Cartas Portuguesas

 

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Tudo o que possa escrever sobre Novas Cartas Portuguesas, nascidas das mãos de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, não irá fazer jus ao poder e grandiosidade desta obra.

 

Antes de mais, é importante referir que as autoras decidiram escrever este livro em Maio de 1971 e que foi publicado em Abril de 1972, para que possam compreender o contexto político, social e literário da época em que se enquadra: Portugal vivia sobre o domínio de uma ditadura fascista, na altura, governada já por Marcelo Caetano.

 

A guerra colonial, a repressão sobre a mulher pela sociedade patriarcal fomentada pelo Estado Novo, a censura, entre outros aspectos característicos desta época, fazem deste livro um instrumento com enorme repercussão na sociedade da época, mas, sobretudo, na que se seguiu ao 25 de Abril. Desenganem-se se pensam que o que está escrito em Novas Cartas Portuguesas está repleto de pormenores de subtileza para escapar à censura, não: Natália Correia decidiu publicá-lo na íntegra, apesar de ter sido instada a cortar determinadas partes. O conteúdo das Novas Cartas Portuguesas é explícito e sem rodeios, com passagens eróticas (já estão a imaginar a frase atentado à moral e aos bons costumes na vossa mente, não estão?), um verdadeiro grito de revolta que coloca o dedo na ferida, sem medo e com uma enorme coragem, ferida essa que é constituída pelos mais variados preconceitos e injustiças intrínsecos à sociedade da época e que se vinham arrastando ao longo de séculos. Desta forma, ninguém ficará admirado ao saber que, três dias após a sua publicação, a primeira edição foi recolhida e destruída pela censura, tendo sido também instaurado um processo judicial às três autoras.

 

Enquanto lia a Breve Introdução, escrita por Ana Luísa Amaral, os meus olhos resplandeciam perante a coragem das "três Marias", não fazendo ainda ideia da grandiosidade do conteúdo deste livro. Considero ser importante fazer a leitura desta obra recorrendo à edição anotada, que, para além de ter resgatado o Pré-Prefácio e o Prefácio de Maria de Lourdes Pintasilgo (publicados em 1980), contempla também um conjunto de notas no final do texto, alusivas às particularidades da época, bem como clarifica as referências históricas e biográficas de certos elementos que vão surgindo ao longo dos vários textos que constituem as Novas Cartas Portuguesas e que poderão passar despercebidos/incompreendidos à maioria dos leitores. Para além de ser essencial à leitura deste livro, já que vamos tendo uma maior percepção da grandiosidade da obra, é também uma excelente forma de adquirirmos mais conhecimento.

 

Tinha ideia de que esta seria uma leitura complexa, difícil de interiorizar e compreender em termos conceptuais, mas não poderia estar mais enganada. As notas finais foram uma excelente ajuda para que a absorção deste livro fosse mais natural, mas a sua escrita, no geral, não é um labirinto, designá-la-ia como um passeio com algumas rectas e zonas mais acidentadas, já que existiram, de facto, algumas partes em que foi difícil compreender o que estava a ser transmitido. Refiro-me sobretudo aos poemas, já que a poesia deste livro apresenta uma estrutura e vocabulário complexos, julgo que raramente os decifrei, mas nem por isso deixou de ser uma experiência maravilhosa.

 

Novas Cartas Portuguesas baseia-se no romance epistolar Lettres Portugaises (Cartas Portuguesas, Assírio & Alvim), publicado originalmente em 1669, constituído por cinco cartas de amor remetidas a um oficial francês por Mariana Alcoforado, jovem mulher enclausurada no convento de Beja, na época da luta contra o domínio Filipino em Portugal.

 

Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa apresentam-nos um conjunto de cartas, poemas, textos narrativos, ensaios e citações referentes a vários momentos da história, alguns remontam à época em que viveu Mariana Alcoforado, outros à época actual (em que o livro foi escrito - 1971). Todas elas possuem um conteúdo intrinsecamente feminino, despudorado, recorrendo por vezes a um discurso muito objectivo, enquanto noutras é feito um uso primoroso da ironia. Os 120 textos que constituem esta obra não estão assinados individualmente, vincando ainda mais o carácter colectivo desta obra, um verdadeiro hino à sororidade, numa época repressiva, onde o estatuto social e legal das mulheres era praticamente inexistente.

 

Quando parti para a leitura deste livro, tinha uma vaga ideia do contexto em que se inseria, mas estava muito longe de ter pleno conhecimento da sua grandiosidade em termos literários, sociais e históricos. Partindo desta minha experiência, parece-me deveras importante que não se saiba muito acerca de Novas Cartas Portuguesas, de modo a que esta obra nos surpreenda a cada página, a cada carta, a cada poema, a cada ensaio, a cada suspiro, a cada revelação. Vou, portanto, abster-me de colocar aqui excertos da obra, não só por esta razão, mas também porque fiz muitas anotações, tornando-se árdua a tarefa de seleccionar apenas algumas. Este livro é poderoso não só carta a carta, mas como um todo.

 

Estou a pensar fazer um texto com curiosidades sobre as Novas Cartas Portuguesas, algumas já falei superficialmente neste texto, outras não, e gostava de saber se estariam interessados em ler. Digam-me nos comentários.

 

27
Nov17

[LIVROS] | Poesia Reunida (Maria do Rosário Pedreira)

 

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Falar sobre um livro de poesia é, para mim, mais complicado do que falar sobre qualquer outro género literário. A poesia toca-nos de formas diferentes, conforme o nosso estado de espírito. Num dia pode passar-nos completamente ao lado, enquanto noutro pode ser a coisa mais preciosa que alguma vez lemos. Um poema pode não significar nada e o da página seguinte tudo. É sempre com base nesse pressuposto que me custa um pouco escrever sobre poesia, a experiência de cada leitor é única e intransmissível, as coisas que provoca em nós são muito pessoais e, por vezes, é difícil explicar por palavras tudo o que nos fez sentir. Isto não deixa de ser verdade para os restantes géneros literários, mas acredito profundamente que na poesia a dimensão deste sentimento é inigualável.

 

Já acompanhava a Maria do Rosário Pedreira através do seu blog, Horas Extraordinárias, e sempre tive curiosidade em ler a sua poesia. Na Feira do Livro de Lisboa acabei por comprá-lo, influenciada pela fase literária que andava a atravessar nessa altura (para quem não sabe, li, durante algum tempo, apenas poesia escrita por mulheres). Quando li a Abertura, de Maria do Rosário Pedreira, e o Prefácio, de Pedro Mexia, senti que este livro ia ser especial. Não me enganei.

 

Se houve alturas (sobretudo no início deste livro) em que o meu estado emocional não vacilou enquanto lia estes poemas carregados de um sofrimento terrível, associado ao fim do amor e à lembrança do mesmo, outras houve em que o meu coração ficou minúsculo face à descrição do que representa a perda de alguém. Pela primeira vez na minha vida dei por mim a chorar enquanto lia um poema.

 

A Poesia Reunida de Maria do Rosário Pedreira é constituída por quatro colectâneas de poemas, todas elas repletas de um sentimento que parece ter desaparecido dos nossos dias: já não se morre de amor. Os seus poemas guiam-nos pela dolorosa e trágica perda do outro, seja ela no passado, presente ou futuro. Somos brindados com uma perspectiva "antiquadamente feminina" que, por mais ultrapassada que possa hoje em dia parecer, nunca poderá deixar de existir. De uma forma íntima, Maria do Rosário Pedreira faz-nos morrer de amor mesmo quando o nosso coração está intacto, faz-nos suspirar e sofrer, em poemas recheados de apontamentos anatómicos e domésticos, dos quais se fazem a vida de duas pessoas, sempre rodeadas de livros. Como podemos não nos apaixonar irremediavelmente?

 

Lê, são estes os nomes das coisas que

deixaste - eu, livros, o teu perfume

espalhado pelo quarto; sonhos pela

metade e dor em dobro, beijos por

todo o corpo como cortes profundos

que nunca vão sarar; e livros, saudade,

a chave de uma casa que nunca foi a

nossa, um roupão de flanela azul que

tenho vestido enquanto faço esta lista:

 

livros, risos que não consigo arrumar,

e raiva - um vaso de orquídeas que

amavas tanto sem eu saber porquê e

que talvez por isso não voltei a regar; e

livros, a cama desfeita por tantos dias,

 

uma carta sobre a tua almofada e tanto

desgosto, tanta solidão; e numa gaveta

dois bilhetes para um filme de amor que

não viste comigo, e mais livros, e também

uma camisa desbotada com que durmo

de noite para estar mais perto de ti; e, por

 

todo o lado, livros, tantos livros, tantas

palavras que nunca me disseste antes da

carta que escreveste nessa manhã, e eu,

 

eu que ainda acredito que vais voltar, que

voltas, mesmo que seja só pelos teus livros.

21
Nov17

[LIVROS] | Dias Úteis

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Dias Úteis, de Patrícia Portela, foi a minha primeira escolha para o Projecto Ler os Nossos, da Cláudia, que decorre durante o mês de Novembro. 

 

Este pequeno livro tem um conteúdo precioso e uma escrita inovadora, capaz de fazer brilhar os olhos de todos os leitores. Já estava à espera de encontrar um livro diferente do habitual, mas esta leitura ultrapassou largamente todas as minhas expectativas, deixando-me com o desejo de ler tudo de Patrícia Portela.

 

Dias Úteis é constituído por um prefácio sobre o Jogo, uma metáfora muito bem conseguida, que se pode aplicar a tantas situações do nosso dia-a-dia, mas, sobretudo, à vida. Está repleto de ironia e sentido de humor, fazendo-nos sorrir à medida que identificamos cada uma das situações descritas, extrapolando-as para a nossa realidade. Antes de chegarmos aos dias da semana, somos presenteados com uma genial didascália. Foi neste momento que percebi que iria, definitivamente, adorar este livro.

 

Nos dias da semana, um conto para cada dia e um epitáfio para domingo, temos a oportunidade de reflectir sobre variados aspectos das nossas vidas sempre com um denomidador comum: a forma como os dias nos escapam por entre os dedos de forma fugaz e definitiva, dias que deixamos passar juntamente com os nossos desejos e sonhos, num trabalho que não nos satisfaz ou que nos consome toda a energia. Na maioria das vezes, assistimos ao passar destes dias de forma conformada e passiva, apercebendo-nos demasiado tarde de que todos os momentos são essenciais para fazermos cumprir aquilo que queremos e desejamos.

Regresso a casa, ao fim do dia, à mesma hora de sempre, depois de atar os joelhos ao corpo com os sapos todos que engoli durante o horário de expediente.

Volto a soldar o coração ao peito sorvendo uma canja de galinha acompanhada com o pão recesso como se fosse sopa de cavalo cansado.

Às 10 da noite vou ter com o Inconformismo com quem vou ao café todos os dias. Fazemos um novo plano para nos tornarmos invencíveis.

Bebemos sem brindar.

Falhamos sempre.

Este é um livro que se lê muito rapidamente (li-o num dia), mas que nem por isso deixa de ser marcante, pelo contrário, é uma experiência literária bastante intensa e transformadora. O facto de um livro ser diferente dos padrões a que estamos habituados nem sempre é sinónimo de qualidade, mas, no caso de Dias Úteis, é claramente este factor que o lança para um espaço repleto de originalidade e genialidade, reservado apenas aos grandes escritores. São definitivamente as marcas diferenciadoras que causam impacto nos leitores, que nos deixam memórias que jamais irão desaparecer, é isto que Dias Úteis reserva a quem o lê.

(...) mas sabes como é, é sempre complicado, tirar só três dias de folga para depois estar mau tempo, e depois não se consegue adiantar nada no jardim, depois uma pessoa acorda tarde e quando dá por si, perdeu o dia, depois a frustação que acumula domingo à noite por não ter aproveitado o fim de semana como deveria e ainda por cima reparar, tarde demais, que não se tem comida em casa e que já está tudo fechado e que agora só telefonando para pedir uma pizza, mas eu também não posso passar os dias a comer pizza, prometi fazer dieta, (...)

 

16
Nov17

[LIVROS] | As Coisas Que Perdemos no Fogo

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As Coisas Que Perdemos no Fogo, da escritora Mariana Enriquez, nascida em Buenos Aires, contém uma carga negra, fantasmagórica e inquietante, à qual é impossível ficar indiferente, à medida que atravessamos os seus doze contos.

 

Está longe de ser um género literário com o qual me sinto confortável, já que histórias repletas de momentos macabros e assustadores não costumam constar na minha lista de leituras habituais. Ainda assim, foi uma excelente experiência já que, para além de ter saído da minha zona de conforto, fiquei bastante encantada com a escrita e capacidade criativa de Mariana Enriquez

Sabes lá se não fez uma revisão ao carro, respondi eu, furiosa, e pensei que seria fácil matá-lo ali, podia ir buscar uma chave de fendas ao porta-bagagens e espetar-lha no pescoço, ele a mim não me queria matar, só queria tratar-me mal e quebrar-me para que eu detestasse a minha vida e não me restassem sequer forças para a tentar mudar.

Os momentos de suspense das histórias misteriosas, fantasmagóricas e macabras deixam-nos envoltos num ambiente de mistério do qual não conseguimos sair com facilidade. Aquelas histórias acompanham-nos, entranham-se na nossa mente, persistindo na nossa memória. Sem intenção propositada no momento da escolha deste livro, fiz esta leitura no final do mês de Outubro, época tradicionalmente associada ao terror, e tenho a dizer-vos que ler este livro na noite de Halloween foi uma experiência deliciosamente assustadora e que vos recomendo se não estão habituados a ler livros deste género.

Uma semana depois de deixar de comer, o meu corpo muda. Quando ergo os braços, as costelas aparecem, embora não demasiado. Sonho: um dia, quando me sentar neste chão de madeira, em vez de nádegas terei ossos, e os ossos atravessarão a carne e deixarão rastos de sangue no pavimento, rasgarão a pele por dentro.

Os meus contos preferidos foram O Rapaz Sujo e As coisas que perdemos no fogo, primeiro e último, respectivamente. O Rapaz Sujo porque foi o conto que mais me marcou, impressionou e colocou em estado de alerta, e As coisas que perdemos no fogo pela carga feminina imposta, já que se tratam de relatos de violência doméstica onde as mulheres são brutalmente queimadas e da luta que daí resulta, um conto muito poderoso e perfeito para o encerramento desta colectânea. Sendo esta a primeira obra editada de Mariana Enriquez em Portugal, fico à espera das próximas com grandes expectativas.

 

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