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Mais Mulheres Por Favor

24
Out17

[EVENTOS] | Género na Arte de Países Lusófonos: Corpo, Sexualidade, Identidade, Resistência

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Infelizmente, o período de inscrições para este evento terminou no final de Setembro, mas achei relevante fazer referência ao evento aqui no blog.

 

A conferência internacional Género na Arte de Países Lusófonos: Corpo, Sexualidade, Identidade, Resistência tem lugar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa nos dias 27 e 28 de Outubro.

Esta conferência pretende reunir pessoas de diferentes países das lusofonias,  vindas da academia, do activismo e de outras áreas, para reflectirem e dialogarem, de um modo crítico, transdisciplinar e sistémico, sobre a questão do género no foro da arte e da cultura contemporâneas. 

 

O programa desta conferência é muito completo e conta com a contribuição de académicos, artistas, curadores, activistas, entre outras pessoas com interesse nesta temática. Deixo alguns dos temas das sessões e dos painéis temáticos que mais me cativaram: Género na arte: dos museus à academia (Aida Rechena e Teresa Furtado), Lute como uma mulher! Arte e Feminismo na América Latina (Cristiana Tejo), A margem rosada: temáticas do RAP feminino brasileiro e português (Amanda Padilha Pieta) e História das mulheres e de género em Portugal: horizontes temáticos e desafios atuais (Irene Vaquinhas).

 

23
Out17

[EVENTOS] | As Happy As Sad Can Be

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Assim que dei de caras com o trabalho da Wasted Rita (Rita Gomes) nas redes sociais comecei a segui-la de imediato. Adoro tudo o que caracteriza a sua arte: a simplicidade, as temáticas que explora, a criatividade desarmante à qual é impossível ficar indiferente; e foi com grande entusiasmo que soube que haveria uma exposição individual sua na Underdogs Gallery, em Lisboa.

 

As Happy As Sad Can Be é uma exposição sobre encarar e abraçar a tristeza de uma forma divertida; sobre brincar com a falsa felicidade enquanto se é fundamentalmente triste que todos deveriam ir conhecer. É grátis, por isso não há desculpas para não passarem por lá até 18 de Novembro.

 

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A exposição compreende um conjunto de instalações diversas, cada qual materializando um espaço pessoal que explora um tema relevante para a artista - seja ele o sabor energizante do Verão ou a sofisticação misantrópica da internet, os apetrechos materiais de uma languidez onírica e prazeres que suscitam culpa, ou as forças e fraquezas da condição feminina num mundo que, com demasiada frequência, e indevidamente, é representado como sendo o domínio do homem.

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20
Out17

[LIVROS] | A Cor do Hibisco

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A Cor do Hibisco foi outro dos livros que escolhi para releitura, de modo a fazer uma opinião para este blog. Para além de ter adorado este livro e de este ter uma temática que muito se adequa aos conteúdos do Mais Mulheres Por Favor, quis que esta releitura fosse um incentivo extra para ler finalmente os três livros de Chimamanda que estão na estante e cuja leitura pretendo fazer por ordem cronológica de publicação (Meio Sol Amarelo, A Coisa à Volta do Teu Pescoço e Americanah).

 

O primeiro romance publicado pela escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, em 2003, conta-nos uma história que nos inquieta o coração desde o primeiro momento. Com uma escrita simples e delicada, A Cor do Hibisco é um livro precioso pelos valores que nos transmite e tão importante pela sua mensagem.

 

A vida de Kambili, do irmão Jaja e da mãe de ambos é fortemente marcada pelo poder que o seu pai, homem poderoso, inflexível e católico fervoroso, exerce naqueles que estão à sua volta. Eugene, acarinhado por toda a comunidade pelo seu poder, influência e frequentes donativos, deposita expectativas irreais na sua família, recorrendo ao seu catolicismo extremista para os punir de forma atroz sempre que não cumprem com os seus ideais, sejam eles pessoais, sociais, académicos, enfim, toda a sua vida é controlada ao segundo, milimetricamente, de modo a que nunca saiam do controlo desta abominável personagem. Kambili e Jaja assumem que o seu modo de vida é normal, desconhecendo o prazer de sorrir, de decidir o que fazer com o seu tempo livre, de falar abertamente, no fundo, de serem crianças/jovens felizes sem os muros repressivos que lhes são constantemente impostos.

Eu estava no meu quarto (...) quando ouvi barulho: umas pancadas rápidas e pesadas na porta esculpida do quarto dos meus pais. Imaginei que a porta estava empenada e o Pai a tentar abri-la. Se imaginasse com força suficiente, tornar-se-ia realidade. Sentei-me, fechei os olhos e comecei a contar. Contar fazia com que não parecesse tanto tempo, fazia com que não parecesse tão mau. Às vezes, acaba antes mesmo de eu chegar a vinte. Ia em dezanove quando barulho parou. Ouvi a porta abrir. Os passos do Pai nas escadas soaram-me mais pesados, mais desajeitados do que era hábito.

Quando se dá um golpe militar na Nigéria, o pai de Kambili e Jaja envia-os para casa de tia Ifeoma e dos primos, com o intuito de os proteger da ameaça que aquele golpe fazia crescer de dia para dia. Esta simples e, aparentemente, inofensiva mudança de ambiente torna-se rapida e irremediavelmente numa revolução na vida de Kambili e Jaja, já que passam a habitar uma casa onde há risos, camaradagem, conversas e discussões, alegria transbordante, apesar das ordens escrupulosas que o pai lhes dá a cumprir durante a sua estadia.

Pairavam risos por cima da minha cabeça. Saíam palavras da boca de toda a gente, muitas vezes sem procurarem nem obterem resposta. Em casa, falávamos sempre com um objectivo determinado, especialmente à mesa, mas parecia que os meus primos se limitavam a falar, falar, falar.

 

A visita a casa da tia e dos primos vai, como referi antes, despertar Kambili e Jaja para o conjunto de possibilidades que a vida tem (devia ter) para todos nós, poder amar, rir, ser livre. Rompem-se, aos poucos, as amarras que os silenciavam e vê-los descobrir tudo isto com espanto e incredulidade, acompanhar a sua evolução numa fase de transição entre a infância e a idade adulta é o mais maravilhoso deste livro. Leiam-no.

 

17
Out17

[LIVROS] | Os Diários da Princesa

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O meu gosto pelo universo Star Wars é relativamente recente. Apesar de ter visto os seis primeiros filmes há quase 10 anos, foi quando assisti ao episódio VII (O Despertar da Força, 2015) que o bichinho se entranhou em mim definitivamente. Curiosamente, foi nessa altura que comecei a coleccionar figuras das personagens femininas da saga, primeiro a Rey, depois a Princesa Leia e, finalmente, a Jyn Erso (Rogue One). Neste momento já tenho várias versões de cada uma e estou sempre em busca de mais.

 

Quando começaram a aparecer nas redes sociais referências ao livro de Carrie Fisher   (The Princess Diarist), em Outubro de 2016, fiquei automaticamente à espera que fosse editado em Portugal. Infelizmente, Carrie faleceu dois meses depois da publicação deste livro, facto que aumentou exponencialmente o meu desejo de saber mais sobre a mulher por detrás da Princesa Leia. Assim, aguardei pacientemente até Setembro de 2017 para ver finalmente cumprido o desejo de ter este livro nas minhas mãos.

 

Embora não lhe reconheça uma excelente qualidade literária, foi muito bom conhecer o que Carrie Fisher experienciou quando, antes de completar 20 anos, foi sozinha para Londres gravar o primeiro filme da saga Star Wars, onde era a única rapariga numa fantasia virada para rapazes. Destaco o facto de que Carrie ganhou o papel de Leia com a condição de perder cinco quilos, coisa que acabou por não fazer (conquistando imediatamente o meu coração).

 

É frequente sermos confrontados com os pensamentos da Carrie daquela época, que não fazia ideia do impacto que esta participação iria ter na sua vida (para sempre), devidamente conduzidos pela Carrie quarenta anos mais velha, mais sábia, e um pouco amargurada por ter sido sempre vista como a Princesa Leia, antes de ser Carrie Fisher, algo que não pode deixar ninguém indiferente. Até que ponto a fama pode interferir na vida destas pessoas, o que pode provocar na sua auto-estima, nos seus pensamentos, no seu dia-a-dia, durante anos e anos a fio?

Mas a verdade é que passei uma boa parte da minha vida, começando aos 19 e continuando, 40 anos mais tarde, a ser tanto eu como a Princesa Leia. A responder a perguntas relacionadas com ela, a defendê-la, a fartar-me de ser confundida com ela, a ser ofuscada por ela, a debater-me com o ressentimento que nutria por ela, a torná-la minha, a procurar por mim, a fazer-lhe companhia, a amá-la... a desejar que ela fosse finalmente embora e me deixasse em paz.

Os Diários da Princesa, para além dos relatos do percurso até às filmagens do filme que mudaria incontornavelmente a sua vida, da fama que se instalou definitivamente e das sessões de autógrafos, foca-se bastante na relação amorosa que Carrie teve com o seu coprotagonista Harrison Ford (na altura, com 30 anos e casado), durante as gravações, e que sempre foi mantida em segredo. A meio do livro são-nos também apresentadas páginas dos seus diários da época, onde podemos ler uma jovem loucamente apaixonada, consciente de que tudo aquilo iria resultar em sofrimento. Uma das minhas partes preferidas do livro pela loucura consciente que Carrie, tão jovem, conseguiu colocar por escrito.

O meu pânico, a minha sensação de demérito e de isolamento estão de novo a crescer. E, aparentemente, não há outras sensações que mereçam ser mencionadas. Não é agradável estar dentro da minha mente. É um lugar agradável para se visitar, mas não quero viver aqui. Está excessivamente sobrepovoada; muitas armadilhas e ciladas. Estou farta disso. Sempre a mesma pessoa, dia após dia. Gostaria de experimentar outra coisa. Tentei arrumar a minha mente, arquivar tudo em pequenos pensamentos ordenados, mas só ficou cada vez mais desordenada. A minha mente tem uma mente própria. Tento definir os meus limites vendo até onde consigo ir, e constato que já os ultrapassei há semanas. E tenho de encontrar o caminho de volta.

 

Não deixam de ser curiosas as referências que Carrie faz ao que seria dito sobre ela após a sua morte, justificando o que conta no seu livro, como se sentisse que era altura de garantir que não haveriam equívocos, que ela iria dizer o que havia para dizer, numa altura em que não haveria grande impacto ou sofrimento para ninguém, já que tinham passado tantos anos. 

Além disso, se não escrevesse sobre este assunto, alguém o faria. Alguém sem conhecimento directo da "situação". Alguém que aguardasse covardemente até à minha morte para especular sobre o que sucedera, deixando-me ficar mal. Não.

 

Se gostam de Star Wars, da Princesa Leia e se querem honrar a memória de Carrie Fisher, sabendo quem esta realmente era (pelo menos, o que nos é desvendado), leiam este livro.

13
Out17

[EVENTOS] | Mulheres nas Artes: Percursos de Desobediência

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Nos dias 16 e 17 de Outubro decorre o Mulheres nas Artes: Percursos de Desobediência, um encontro internacional na Fundação Calouste Gulbenkian para debater a afirmação das mulheres na literatura, na música, no cinema, nas artes visuais e nas artes de palco. Cereja no topo do bolo? É grátis!

“Qualquer forma de criação nasce da desobediência, isto é, da capacidade de questionar o que existe”, dizem Inês Pedrosa e Patrícia Reis, comissárias de Mulheres nas Artes: Percursos de Desobediência. Na apresentação deste encontro, relembram também que “a metade feminina da humanidade esteve aparentemente confinada ao silêncio e à obediência até há pouco mais de cem anos”, evocando Clarice Lispector e Virginia Woolf como símbolos de uma contracultura de resistência.

 

Ao longo destes dois dias há palestras, debates, conversas de vida e o lançamento do livro Eu Matei Xerazade - Confissões de Uma Mulher Árabe em Fúria, de Joumana Haddad, escritora e jornalista libanesa, que lançou no Líbano, em 2009, a revista Jasad (corpo em árabe), que conta com artigos, fotos, arte e ilustrações que falam sobre o culto ao corpo, erotismo e sexo. Irá também haver a antestreia do filme A Festa, de Sally Potter, entre outros eventos. A perfeição na Terra, portanto. Podem consultar o programa aqui.

 

Infelizmente, não terei disponibilidade para estar neste evento, mas tenho esperança que haja alguém desse lado que o possa fazer por mim. Vão e contem-me tudo.

 

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